Projeto Manhattan: quem participou, fim, resumo

Publicidade

O Projeto Manhattan foi um programa militar e científico promovido oficialmente pelo governo norte-americano entre 1942 e 1947, com o objetivo de produzir bombas atômicas. O governo dos EUA mobilizou milhares de cientistas, sob a liderança de Robert Oppenheimer, para encontrar formas de usar energia nuclear para gerar esse artefato.

Esse projeto ganhou forma quando o presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt foi informado por Einstein de que os alemães estavam engajados no projeto de construir suas próprias bombas atômicas. O Projeto Manhattan construiu três bombas, e duas delas foram lançadas sobre o Japão, em agosto de 1945.

Leia mais: Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares (TPAN) — aprovado em 2017, objetiva banir todo armamento nuclear no mundo

Resumo sobre Projeto Manhattan

  • O Projeto Manhattan foi o projeto militar e científico que os Estados Unidos desenvolveram durante a Segunda Guerra Mundial.

  • Seu objetivo foi construir bombas atômicas.

  • O trabalho científico estava sob a liderança do físico Robert Oppenheimer.

  • Foram construídas três bombas atômicas por essa iniciativa.

  • Duas bombas foram lançadas no Japão, e uma delas foi detonada em um teste.

O que foi o Projeto Manhattan?

O Projeto Manhattan foi um programa de pesquisa científica e militar realizado pelos Estados Unidos entre 13 de agosto de 1942 e 15 de agosto de 1947. Teve como objetivo a construção de uma bomba atômica para ser usada no contexto da Segunda Guerra. O programa norte-americano contou com extenso apoio do Reino Unido e do Canadá.

O objetivo desse programa foi utilizar os conhecimentos que se tinha sobre Física e Química e produzir um artefato militar que detonasse por meio da fissão nuclear. Esse programa foi realizado sob alto sigilo, mobilizou mais de 100 mil pessoas, e empregou a quantia de dois bilhões de dólares em valores da época.

O líder do trabalho científico foi Robert Oppenheimer, um físico norte-americano que foi o responsável por conduzir o trabalho dos cientistas engajados na produção das bombas atômicas. Ao final, o Projeto Manhattan foi responsável pela construção de três bombas: uma foi detonada no deserto do Novo México e duas foram lançadas sobre o território japonês.

Não pare agora… Tem mais depois da publicidade 😉

Contexto histórico do Projeto Manhattan

O Projeto Manhattan foi idealizado no final de década de 1930, mas só passou a operar efetivamente em 1942. Foi realizado no contexto da Segunda Guerra Mundial, tendo como objetivo de construir armas atômicas que pudessem mudar os rumos desse conflito. E isso deveria acontecer antes dos alemães.

À medida que o conflito foi se desenrolando, as armas passaram a ser projetadas contra os inimigos dos Estados Unidos na guerra. Quando ficaram prontas, já estava definido que seriam usadas contra o Japão, país que impunha uma resistência dura ao avanço norte-americano na Ásia e no Pacífico.

Origem e história do Projeto Manhattan

O Projeto Manhattan começou a ganhar forma quando o presidente norte-americano Franklin D. Roosevelt recebeu uma carta de Albert Einstein e Leo Szilard informando-o de que a Alemanha produziria uma bomba atômica. O governo norte-americano foi informado do risco que seria se uma arma desse tipo fosse feita pelos nazistas.

Uma série de pesquisas foram iniciadas para verificar a possibilidade de usar urânio na produção do novo artefato bélico. Em outubro de 1941, o presidente Roosevelt autorizou o início do Projeto Manhattan, com o objetivo de produzir a almejada bomba atômica. O projeto foi entregue nas mãos do exército, e foi aprovado um programa de cooperação científica com os britânicos.

Ainda em outubro de 1941, Robert Oppenheimer foi convidado a participar desse projeto, e seu papel inicial era conduzir pesquisas em nêutrons rápidos, mas logo ele assumiu o comando de grupos de pesquisadores. Em 1942, Oppenheimer foi convidado por Leslie R. Groves Jr. para assumir o comando do laboratório e de toda pesquisa relativa à bomba.

A escolha de Oppenheimer foi uma aposta de Groves, uma vez que aquele era considerado inapto para a função, pois não tinha experiência na administração de pessoal e era considerado suspeito porque mantinha proximidade com militantes e grupos comunistas nos Estados Unidos.

Em seguida, Groves e Oppenheimer se engajaram na escolha pelo local onde ficaria o laboratório do projeto. Oppenheimer sugeriu que fosse a região desértica de Los Alamos, no estado do Novo México. Tal sugestão levou em consideração o fato de que ele conhecia a região, pois possuía uma fazenda nas proximidades.

O urânio usado na fabricação de uma das bombas foi obtido de minas que existiam no Congo Belga, no Canadá e nos Estados Unidos. Foi necessário passar por um longo processo de enriquecimento de urânio para obter o urânio-235, que tem matéria físsil. Já o plutônio foi obtido pela transformação de urânio-238 em plutônio-239 por meio de reatores.

Leia mais: Armas nucleares — dispositivos projetados para liberar grandes quantidades de energia por via reações de fissão nuclear

Cientistas do Projeto Manhattan

Dentre os cientistas que atuaram no Projeto Manhattan, destaca-se:

  • Robert Oppenheimer;

  • Enrico Fermi;

  • Leo Szilard;

  • Norris Bradbury;

  • Niels Bohr;

  • Hans Bethe;

  • Richard Feynman;

  • John Manley;

  • Klaus Fuchs;

  • Arthur Compton;

  • Kenneth Bainbridge;

  • Ernest Lawrence.

A primeira bomba atômica

O Projeto Manhattan produziu três bombas atômicas, e uma delas foi separada para ser usada em um teste, uma vez que Oppenheimer achou necessário. Esse teste recebeu o nome de experiência Trinity e foi realizado em uma região desértica do Novo México, nas proximidades de Alamogordo.

O teste foi às 5h30 de 16 de julho de 1945 e foi considerado um grande sucesso. A explosão criou um cogumelo de 12 quilômetros de altura, teve uma força equivalente a 20 quilotons e pôde ser sentida até 160 quilômetros de distância do seu epicentro.

Bombardeio de Hiroshima e Nagasaki

Com o sucesso da experiência Trinity, as duas bombas atômicas restantes foram encaminhadas para o arsenal norte-americano, sendo designadas para o conflito contra o Japão. Os japoneses estavam sendo progressivamente encurralados pelos norte-americanos, mas não demonstravam intenção nenhuma de render-se.

Os americanos promoviam bombardeios diários e pesados sobre diversas cidades japonesas e preparavam-se para organizar a invasão de Honshu, a ilha principal do território japonês. Essa invasão, no entanto, levaria a mais mortes de soldados norte-americanos, aumentaria os gastos do país com a guerra e estenderia o conflito por um período indeterminado.

O Japão se recusou a se render depois que os Estados Unidos estabeleceram os termos da rendição, em julho de 1945, na Declaração de Potsdam. Com isso, os Estados Unidos decidiram usar as bombas atômicas sobre duas cidades japonesas. O exército norte-americano tinha selecionado diversas cidades para que as bombas fossem lançadas, mas prevaleceu Hiroshima e Kokura.

A cidade de Hiroshima foi bombardeada na manhã de 6 de agosto de 1945, e, três dias depois, o B-29 responsável por transportar a bomba se dirigiu para a cidade de Kokura. Chegando lá, foi identificado que a visibilidade estava muito ruim por conta do excesso de nuvens, então o avião se direcionou para Nagasaki, o plano B.

Estima-se que cerca de 120 mil pessoas tenham sido mortas imediatamente com a explosão das duas bombas atômicas. Os sobreviventes sofreram com as sequelas das bombas e foram vítimas de queimaduras e do contato com a radiação. A rendição japonesa foi anunciada em 14 de agosto de 1945, poucos dias após o lançamento das bombas atômicas.


  • Videoaula sobre Segunda Guerra Mundial: conflito na Ásia

Fim e consequências do Projeto Manhattan

Depois da Segunda Guerra Mundial, o trabalho nas instalações do Projeto Manhattan foi gradualmente sendo desmontado. Em 1946, foi criada a Comissão de Energia Atômica dos Estados Unidos, que assumiu o controle sobre tudo no projeto, oficialmente descontinuado em 15 de agosto de 1947.

Após o lançamento das bombas atômicas, diversos cientistas norte-americanos afirmaram que era necessário controlar a proliferação de armas nucleares, dado o seu poder de destruição. O uso das bombas atômicas pelos Estados Unidos fez com que esses artefatos bélicos fossem produzidos por outros países, dando início a uma corrida armamentista entre os EUA e a URSS.

Além disso, milhares de japoneses sofreram com as sequelas causadas pela radiação ao longo de suas vidas.

Fontes

HASTINGS, Max. Inferno: o mundo em guerra 1939-1945. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2012.

BARCELOS, Gabriel. A bomba atômica. Disponível em:

BEEVOR, Antony. A Segunda Guerra Mundial. Rio de Janeiro: Record, 2015.

BLAKEMORE, Erin. A verdadeira história sobre Einstein e a criação da bomba atômica. Disponível em:

PLATTS-MILLS, Ben. Quem foi o verdadeiro Robert Oppenheimer, criador da bomba atômica. Disponível em:

RODRÍGUEZ, Héctor. Afinal, quem foi Robert Oppenheimer? Disponível em:

SCHWARTZ, Shelly. The Manhatta Projec and the invention of the atomic bomb. Disponível em:

SCHWALLER, Fred. Quão perto o 3º Reich chegou perto de construir uma bomba atômica? Disponível em:

SCLIESS, Gero. Como a bomba atômica surgiu no meio de um paraíso. Disponível em: