Nem todos os planetas nascem do mesmo modo

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Redação do Site Inovação Tecnológica – 05/03/2024

Tambm j conhecemos um disco protoplanetrio virgem, que revela uma situao na qual no se formam planetas.
(Imagem: C. Ginski et al. – 10.1051/0004-6361/202347586)

Diferentes beros

Astrnomos lanaram uma srie de luzes sobre o processo da formao planetria, revelando imagens extraordinrias de discos protoplanetrios, captadas pelo telescpio VLT do Observatrio Europeu do Sul (ESO), no Chile.

um dos maiores rastreios j feitos de discos de formao planetria, com observaes de mais de 80 estrelas jovens que podem ter planetas se formando ao seu redor, uma enorme quantidade de dados e informaes inditas sobre o modo como os planetas surgem em diferentes regies da nossa galxia. Esses discos so mais facilmente encontrados nas enormes nuvens de gs onde as prprias estrelas esto se formando.

“Trata-se realmente de uma mudana na nossa rea de estudo,” disse Christian Ginski, da Universidade de Galway, na Irlanda. “Passamos do estudo aprofundado de sistemas estelares individuais para esta enorme viso geral de regies inteiras de formao de estrelas.”

J conhecemos mais de 5.000 exoplanetas, muitas vezes em sistemas muito diferentes do nosso prprio Sistema Solar. Para compreender onde e como surge esta diversidade, os astrnomos precisam observar os discos ricos em poeira e gs que envolvem as estrelas jovens, os chamados berrios da formao planetria.

Tal como os sistemas planetrios j desenvolvidos, as novas imagens mostram a extraordinria diversidade dos discos de formao de planetas. “Alguns destes discos apresentam enormes braos em espiral, presumivelmente impulsionados pelo intrincado bal dos planetas em rbita,” disse Ginski. “Outros mostram anis e grandes cavidades esculpidas pelos planetas em formao, enquanto outros ainda parecem suaves e quase adormecidos no meio de toda esta baguna de atividade,” acrescentou Antonio Garufi, do Observatrio Astrofsico de Arcetri, na Itlia.

Cole

Esta pequena seleo da pesquisa mostra 10 discos das trs regies observadas.
(Imagem: SO/C. Ginski, A. Garufi, P.-G. Valegard et al.)

Diversidade de planetas e de modos de formao

A equipe estudou um total de 86 estrelas em trs regies diferentes de formao estelar da nossa galxia: Touro e Camaleo I, ambas a cerca de 600 anos-luz de distncia da Terra, e rion, uma nuvem rica em gs a cerca de 1.600 anos-luz de ns, que conhecida por ser o local de nascimento de vrias estrelas mais massivas do que o Sol.

Os dados inditos j permitiram tirar vrias concluses importantes. Por exemplo, em rion descobriu-se que as estrelas agrupadas em duas ou mais tm menos probabilidade de possuir grandes discos de formao planetria. Este um resultado significativo, dado que, ao contrrio do nosso Sol, a maioria das estrelas da nossa galxia tm companheiras. Alm disso, o aspecto irregular dos discos nessa regio sugere a possibilidade de existirem planetas massivos, o que pode ser a origem da deformao e desalinhamento observados nesses discos.

Embora os discos de formao planetria possam se estender por distncias centenas de vezes superiores distncia entre a Terra e o Sol, a sua localizao a vrias centenas de anos-luz de ns faz com que nos paream pequenos pontinhos no cu noturno. Para enxerg-los, a equipe utilizou o instrumento SPHERE (Spectro-Polarimetric High-contrast Exoplanet REsearch), que possui um sistema de ptica adaptativa de ltima gerao, capaz de corrigir os efeitos da turbulncia gerados pela atmosfera terrestre, capturando imagens muito ntidas dos discos.

medida que a tecnologia avana, a equipe espera observar ainda mais profundamente o centro dos sistemas de formao planetria. O enorme espelho de 39 metros do futuro telescpio ELT (Extremely Large Telescope), por exemplo, permitir estudar as regies mais interiores em torno de estrelas jovens, onde se podem estar se formando planetas rochosos como o nosso.

Bibliografia:

Artigo: The SPHERE view of the Chamaeleon I star-forming region The full census of planet-forming disks with GTO and DESTINYS programs
Autores: C. Ginski, R. Tazaki, M. Benisty, A. Garufi, C. Dominik, . Ribas, N. Engler, J. Hagelberg, R. G. van Holstein, T. Muto, P. Pinilla, K. Kanagawa, S. Kim, N. Kurtovic, M. Langlois, J. Milli, M. Momose, R. Orihara, N. Pawellek, T. O. B. Schmidt, F. Snik, Z. Wahhaj
Revista: Astronomy and Astrophysics
DOI: 10.1051/0004-6361/202347586

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