Com que precisão dá para estimar uma idade sem saber a data de nascimento?

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Depende do método empregado e da faixa etária do indivíduo – mas nenhum deles é 100% preciso.

É mais fácil cravar a idade de crianças e adolescentes, já que seus dentes e ossos ainda estão em desenvolvimento, e cada etapa intermediária do crescimento dessas estruturas está bem documentada.

Um método particularmente preciso é consultar o London Atlas, que mapeia o desenvolvimento dental de pessoas desde 28 semanas no útero até 23 anos de idade. A taxa de erro é de seis meses a mais ou a menos. Por exemplo: se o atlas estima que a idade de uma criança é de 10 anos, ela pode ter algo entre 9 anos e 6 meses e 10 anos e 6 meses.

Também é comum usar radiografias de pulso para estimar a idade nessa faixa etária. Os ossos dessa região do corpo vão se aproximando uns dos outros até atingirem o estado maduro, por volta dos 19 anos de idade. Mas esse método é menos preciso: nem sempre o desenvolvimento ósseo acompanha a idade cronológica, então um adolescente já pode ter pulsos maduros a partir dos 15 anos. 

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Para maiores de 20 anos, o chute fica muito mais difícil. Um dos métodos conhecidos é a avaliação da polpa do dente canino por meio de radiografias. A taxa de erro é de alguns anos: se a idade estimada por esse método for de 50 anos, por exemplo, a idade real pode ser de 54 anos.

Existem outros métodos propostos por cientistas (avaliação de cromossomos, moléculas presentes no sangue e glóbulos brancos, por exemplo). No entanto, a análise dental e óssea são os métodos mais acessíveis, já que são feitos por meio de radiografias.

Um outro método promissor (mas ainda incipiente) é o relógio epigenético. Consiste na análise de marcadores moleculares que se acumulam no DNA ao longo do tempo. A estimativa pode ser feita usando a saliva do indivíduo, e a margem de erro pode chegar a dois ou três anos de diferença.

Esses exames são usados em processos legais para determinar a maioridade de pessoas que não têm documentos. Isso é importante para processos de adoção e imputabilidade penal, por exemplo. A maioridade pode ser a diferença entre ir para a cadeia ou não; ou ser aceito como refugiado em um outro país. 

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“A estimativa de idade é um desafio pericial, e conhecer as taxas de erro inerentes aos métodos é importante para que eles sejam aplicados de forma confiável”, diz Ricardo Henrique da Silva, responsável pela área de odontologia legal da USP Ribeirão Preto.

A faculdade pesquisa a aplicabilidade dos métodos de determinação de idade na população brasileira. Recentemente, desenvolveram um atlas que ilustra o desenvolvimento dental de crianças, adolescentes e jovens adultos.

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Fontes: Ricardo Henrique Alves da Silva, professor responsável pela área de Odontologia Legal da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da USP e seu doutorando Paulo Henrique Viana Pinto